
Ensaiei (mentalmente) declarações polêmicas e engajada, preparei o cardápio de comidas que cozinharia, decidi que aspectos meus iria mostrar (e quais jamais mostrar), que sunga usar, se faria tricô ou não, que livros levar. Refleti se minha família iria em caravana ou não quando eu estivesse no paredão. E o melhor de tudo, escolhi com minuncioso cuidado quais seriam as palavras que usaria para calar a boca do Bial...
Quando me dei conta do rídiculo de tudo isso soltei um riso sincero.
E no fim das contas, Foucault, meu arquinimigo nos primeiros anos da faculdade, estava certo quando conjeturou sobre o fetiche exibicionista/voyeurista que nossa sociedade estava prestes a conhecer.
Gozado, quanto mais particular nossas vidas se tornam, quanto mais privacidade buscamos, mais sentimos necessidades de expô-la ao mundo.
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