Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poete.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei qu canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritimada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
(MEIRELES, 1982: 14)
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